15 de fevereiro de 2017

A Associação Bodyboard Foz do Mondego

A Associação Bodyboard Foz do Mondego, nasceu no ano de 1994 na cidade da Figueira da Foz. Viria a ser a primeira Associação/Clube exclusivamente dedicada ao Bodyboard.
Na época, já existia na Figueira um clube de Surf. Contudo, o Bodyboard não era visto com bons olhos. Face a isto, os primeiros e mais antigos bodyboarders, a primeira geração como é hoje conhecida, puseram mãos à obra e decidiram fundar a ABFM. Esses bodyboarders foram: Alfredo Coelho (Gudu), Paulo Pereira (Bola), Benjamim Cardoso (Benga), Nuno Trovão (Trovên), Rui Bronze, Miguel Oliveira (D`Boss), Pedro Grilo (Grigri), Gonçalo Alves (Gonças), Miguel Gravato (Graven), Paulo Gomes (Aviador), Paulo Jorge (Paulito) e João Paulo (Johnny).
Depois da legalização oficial, iniciou-se a angariação dos primeiros sócios.
No primeiro ano de vida, o objectivo da ABFM foi organizar um circuito intersócios de 3 categorias. As 4 etapas foram realizadas ao longo do ano nas praias da Figueira da Foz. Este circuito, de características orientadas para o Bodyboard, iria incentivar mais bodyboarders para a competição e divulgar a modalidade na área da Figueira. Ao mesmo tempo, ajudou a cativar mais jovens para a sua prática
No ano que se seguiu, surgiram alguns problemas para arranjar elementos para os corpos sociais, pois quase todos verificaram que tinham dificuldades em conciliar os estudos ou o trabalho com as actividades da associação.
Apesar das dificuldades, neste segundo ano de actividade estabeleceu-se como objectivo primordial, aumentar o número de atletas federados, o que viria a proporcionar à ABFM, uma maior participação colectiva e individual nos campeonatos nacionais.
Em 1996 alguns colaboradores da associação, por necessidades profissionais, tiveram que se afastar das actividades da ABFM.
Começava-se a sentir a necessidade urgente de renovar o grupo que trabalhava desde 94.
O ano de 1997 viu o renascer da ABFM pela mão de Nuno Trovão.

1 de fevereiro de 2017

Um contributo para tentar entender a crise do associativismo na Cova e Gala

Numa altura de crise geral, o movimento associativo não foge à regra.
O associativismo português  vive dias cada vez mais difíceis e a ansiada inversão dessa tendência não parece estar para breve.
O associativismo na Freguesia de S. Pedro acompanha o que se passa no resto do País. As Colectividades da Cova e Gala, todas elas, sentem muitas dificuldade na organização do seu a dia a dia.
Por diversos factores, mas onde a escassez de recursos humanos qualificados assume, hoje, como nas últimas décadas, relevância.
Como sabemos, na Cova e Gala existem três Colectividades: o Clube Mocidade Covense, o Desportivo Clube Marítimo da Gala e o Grupo Desportivo Cova-Gala.
Aparentemente estamos bem servidos. No entanto, se formos ao concreto, não obstante a boa vontade de alguns esforçados carolas, o panorama é francamente desolador.
É assim agora. Era assim há vinte anos atrás. Era assim há trinta anos. Era asssim há quarenta anos. É assim desde que tenho memória.
Já que, pelos vistos a problemática da unificação (e não fusão) das Colectividades da Cova e Gala, volta a ser um tema a ganhar actualidade, fica  um contributo, que, espero, possa ajudar...
Um pouco de história
Foi para tentar atenuar as dificuldades que as Colectividades enfrentavam e para tentar potencializar os parcos recursos existentes que, por volta de 1989, Carlos Alberto de Jesus Lima, o pai e ideólogo da tese, começou a tentar corporizar a ideia da unificação.
A primeira reunião, digamos assim, a sério, aconteceu na Sede da Junta de Freguesia de S. Pedro, no ano de 1989. Estiveram presentes representantes das três Colectividades e, como convidado, Domingos São Marcos Laureano, Presidente do Executivo da nossa autarquia, nessa altura.
Em 1990, aconteceu outro facto que podemos considerar uma tentativa, não sei se assumida e previamente pensada, de encetar o caminho da unificação: a organização conjunta da festa em honra do Padroeiro S. Pedro, pelas Direcções das três Colectividades locais.
Diga-se, em abono da verdade, que nem tudo correu bem, digamos assim e, citando de memória, “por problemas de bastidores”.
Entretanto, a atestar que existia gente que na época pensava na unificação, iam acontecendo outras realizações conjuntas das colectividades, como é o caso da organização de algumas edições do Grande Prémio de Atletismo de S. Pedro, uma realização que prestigiou a nossa Terra...
E as Autarquíadas – quem se lembra ainda desta iniciativa – foi igualmente outra iniciativa promovida pelas Colectividades da Cova-Gala.
O tempo foi correndo, a ideia da unificação foi ganhando alguma consistência, surgiram adeptos e defensores, mas, igualmente, foram aflorando resistências mais ou menos camufladas.
94/95, anos decisivos
Chegámos a 1994, ano em que aparentemente foram dados passos importantes.
Foi apresentado um Projecto de Unificação.
Os Clubes – todos os Clubes, realizaram Assembleias Gerais e aprovaram esse Projecto, cuja implementação passaria por três fases:
1ª.Esclarecimento.
2ª.Iniciação do Projecto pelas Colectividades.
3ª.Unificação das três Colectividades, pelo menos numa primeira fase, sem a perda da identidade própria de cada una delas.

Depois, com o decorrer do processo logo se veria.
O que parou o processo?
As coisas pareciam estar a avançar. Chegou mesmo a haver um Projecto de Estatutos e um Regulamento Geral da nova associação a ser criada, da autoria de Carlos Lima. 
Esse documento foi discutido em reuniões no seio dos Clubes, mas a partir daí estagnou-se até aos dias de hoje.
A partir de 1995 o processo hibernou.
Visto à distância, ocorreu um factor de índole pessoal, que parece ter contribuído decisivamente para o encalhamento do processo: Carlos Lima, por razões pessoais, pediu a suspensão do cargo de Presidente da Direcção do Desportivo Clube Marítimo da Gala.
Este acidente de percurso, provou-o o futuro, tirou dinâmica e capacidade de organização para levar por diante o processo de unificação das colectividades de S. Pedro, que não era uma tarefa fácil de concretizar, pelas implicações e reacções que tal mudança iria implantar no panorama associativo local.
Por outro lado, ainda que não assumidas publicamente, as tais resistências mais ou menos encapotadas, iam minando o processo.
E a inércia acabou por ditar leis...

Actualidade
Em 2017, em ano de eleições autárquicas, mais de vinte anos decorridos sobre a paragem do processo de unificação, a realidade é esta: não há uma estratégia de fundo, definida, concertada e devidamente fundamentada para o desenvolvimento do associativismo em S. Pedro. E os políticos já deram um passo...
E a realidade recreativa e cultural, no âmbito do nosso concelho, para não ir-mos mais longe, é a conhecida de todos nós.
Na ausência duma ideia de fundo, ao longo dos anos o poder político fez aquilo que é normal: tomou medidas avulsas e pontuais, onde foram gastos largos milhares de euros, como aconteceu no ano passado, curiosamente ano de eleições autárquicas, no Desportivo Clube Marítimo da Gala e no Clube Mocidade Covense.
As carências recreativas e culturais, entretanto, subsistem. 
A nível desportivo, as coisas têm funcionado bem melhor, embora também aqui existam lacunas fundamentais que, por esta ou aquela razão, têm sido adiadas. É o caso do piso do Campo do Cabedelo que nunca foi resolvido. E o desalento, perante tantas dificuldades, também chegou ao Grupo Desportivo Cova-Gala.
É neste panorama de dificuldades gerais, que a problemática da unificação das nossas Colectividades, volta a ser um tema a ganhar actualidade.
O futuro, que todos ansiamos pujante e vigoroso do associativismo na Cova e Gala, passa, inevitavelmente, pelas opções de fundo que terão, mais tarde ou mais cedo, de ser feitas.
Espero que tendo em conta a vontade dos sócios e da população em geral. Espero que o processo seja democrático e entendido pelo destinatário: a população da frguesia de S. Pedro.
O problema da Cova e Gala foi sempre o mesmo.
As pessoas inteligentes, normalmente, têm mais dúvidas que certezas. 
Já as pessoas iluminadas estão cheias de certezas, raramente se enganam e não têm dúvidas.

27 de janeiro de 2017

O "Quinito"

"Um herói! Um verdadeiro herói! Um herói anónimo. Um herói que salvou tantas, mas tantas, vidas. Que salvou muitos homens, muitas mulheres e muitas crianças de morrerem afogadas. Que se atirou tantas e tantas vezes para dentro do revoltado e temível mar, desafiando-o, pondo em muito sério risco a sua própria e única vida, para salvar vidas de inocentes e, também, as vidas de desrespeitadores, vidas de teimosos, de mal educados, de fanfarrões e de inconscientes criaturas que, por desrespeitarem o poderoso e inclemente mar, por ignorarem as trémulas, as sábias e boas conselheiras bandeiras e os solenes avisos e apitos, puseram em perigo as suas próprias vidas e as vidas de muitos outros.
Hoje, quem sabe de ti? Quem te reconhece? Quem te respeita? És ostensiva e intencionalmente ignorado, umas vezes, por inveja, outras vezes, com ressaibos de maldade. Contudo, tens a fibra e os genes dessa valorosa gente – pescadores e homens no mar - que sem medo, sem qualquer receio, sempre sulcaram esse gigante e o ainda mais gigante de todos os mares: – a vida!
Deram-te..., agraciaram-te... com alguma Comenda? Claro que não! Quais Comendas? Quais Comendadores? Pelo menos, não te ofenderam, não te embrulharam num “saco”, num rótulo em que, muitas delas – as Comendas, são puros produtos, retoques e trucagens, a alto preço conseguidas, por pagamentos – “Comendas por encomendas”- a uma certa..., e nada recomendável..., imprensa.
Gente que não se orgulha dos seus, gente que não valoriza os seus, gente que não se revê nos seus, está condenada a desaparecer porque é gente sem memória, gente demasiado pequena. Senhores políticos, senhores presidentes de Juntas de Freguesia e de outra tantas presidências..., valorizem os, genuinamente, vossos concidadãos: “Os Quinitos”, “Os grandes Mestres”, “Os Manéis dos Caracóis”, “Os, forçadamente, Emigrados”, reergam os vossos com orgulho! Estudem e preservem a vossa história..., prestem atenção à vossa toponímia! Qual Rua das Farturas!, qual Rua Abaixo da Rua de Cima!, qual Prolongamento à Esquerda da Rua Direita!..., perdoem-me o intencional, o ousado e abusado e, quase, indecoroso sarcasmo, contudo, intimamente respeitoso e bem intencionado..., “estrangeiro” sou eu, e interesso-me..., orgulho-me dos vossos e, também, meus concidadãos!
Quanto a ti, caro e querido amigo Quinito, não terás no meu coração e, no coração daqueles que - para além dos teus humanos defeitos -, reconhecem e sabem da tua grandeza, do teu heroísmo, dizia, não terás, apenas uma rua com o teu nome e para tua memória, terás, sempre, nos nossos corações, belas, floridas e extensas Avenidas com o teu nome: “Quinito- Salvador Nadador!”."
O seu verdadeiro nome é Joaquim Silva, mas todos o conhecem por "Quinito".
Walter Freitas Ramalhete, numa crónica no Figueira na Hora, lembra a vida do "Quinito"
É uma prosa que impressiona. Leiam. Basta clicar aqui

20 de janeiro de 2017

Pastor João Severino Neto

Em 2005, a Junta de Freguesia de São Pedro decidiu homenagear algumas figuras, com a atribuição do seu nome a Ruas da nossa Terra.
Uma dessas figuras foi o Pastor João Neto.


Já agora, porque principalmente os mais jovens da nossa Terra, talvez desconheçam a obra do Pastor João Neto, aqui ficam, de forma simples e sintética, alguns aspectos breves da sua vida e da sua obra.

Em 1960, João Severino Neto foi nomeado pela Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, Pastor da Igreja Evangélica da Figueira da Foz.
Isso implicava ter de prestar assistência pastoral a pequenas comunidades presbiterianas existentes em aldeias circunvizinhas, como a Cova e Gala, duas aldeias situadas a três quilómetros a sul da Figueira, ali logo ao remate da Ponte dos Arcos.
Nessa altura, e estamos a falar dos anos 60 do século passado, Cova e Gala eram duas terras de pescadores completamente abandonadas pelos poderes.
Ao iniciar o seu trabalho nestas localidades o Pastor João Neto tomou conhecimento dos inúmeros problemas sociais e económicos que atormentavam a vida da população. E tomou consciência de outra coisa: se a Igreja Presbiteriana queria cumprir a missão tinha de actuar corajosamente. E foi o que fez.
Foi assim que nasceu o Centro Social da Cova e Gala, que tem como fins principais e primários desenvolver acções do âmbito da segurança social, nomeadamente nas áreas comunidade, família e população activa, Infância e Juventude, Terceira Idade, Invalidez e reabilitação. Como fins secundários desenvolve acções no âmbito da educação, da saúde, da agricultura e do trabalho.